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Artigo

Na onda do iPhone, empresas correm para lançar aparelhos com telas sensíveis ao toque

13/10/2008, por Elis Monteiro

Um dos grandes apelos do iPhone, o celular bom de marketing da Apple, é, sem sombra de dúvida, a tela sensível ao toque. Parece mesmo irresistível um aparelho inteiramente comandado pelo display. Melhor: o usuário seleciona as funções, brinca com as imagens e até escreve usando as pontas dos dedos. O próprio Steve Jobs, em ocasião do lançamento do iPhone, admitiu que o grande truque estava na simplicidade. "Podemos reduzir o tamanho de um aparelho e aumentar suas funções criando toques digitais na própria tela", disse o chefão da Apple. Clique aqui e veja fotos de alguns aparelhos touchscreen

Mas o mundo touchscreen vai muito além do celular da Apple. Hoje, há todo tipo de equipamento comandado inteiramente pela tela e o mercado está em polvorosa com a resposta positiva do consumidor. Assim, chegam ao mercado notebooks, aparelhos de TV, desktops, tablets e até produtos futuristas como o Surface, o PC sem teclado da Microsoft, que tem como proposta promover uma interação mais simples entre usuário e máquina.

HP lança computador com tela touchscreen

Que o diga a HP, que anunciou na semana passada o lançamento de um computador com jeito e cara de iPhone. O Touchsmart IQ500 (R$ 6.499) permite que o usuário use as mãos para tocar na tela e arrastar os ícones dos programas. O micro reconhece os movimentos conforme o dedo corre pelo display, dispensando teclado e mouse. Ganha-se assim também em espaço, outra mercadoria valiosa.

A HP já havia lançado um iPaq GPS com tela sensível. O iPAQ 300 Travel Companion (R$ 1.499) permite que o usuário use os dedos para deslizar o mapa na direção que melhor permitir sua visualização.

Foi justamente visando a facilitar o acesso do usuário a máquinas do dia-a-dia que a Philips criou um controle remoto touchscreen. O modelo Pronto TSU9800 vem com display sensível ao toque de 6.4 polegadas. Usando as pontas dos dedos, o usuário pode controlar até equipamentos que estejam em outro cômodo. O produto ainda tem conectividade Wi-Fi e a facilidade de poder ser fixado na parede ou na mesa utilizando acessórios opcionais.

Aparelhos começaram a surgir em 1983

Outra que já se rendeu à novidade foi a ASUS, que está para lançar uma versão de seu popular notebook Eee PC com tela sensível ao toque. O produto deve ser lançado no primeiro semestre de 2009 e deve ser apresentado durante a Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas.

A história do touchscreen começa em 1983, nas dependências da HP. Foi quando a empresa lançou o HP-150, micro que permitia o comando de funções básicas, como abrir e fechar arquivos, com as pontas dos dedos. A partir daí, outras empresas descobriram formas de adequar a novidade das telas sensíveis a produtos mais próximos do consumidor comum. E aparelhos touchscreen começaram a aparecer em aeroportos e shoppings. Quem nunca topou com um daqueles totens para busca de informações?

A LG já levou os displays sensíveis ao toque a aparelhos como micro system - o modelo FA162 (R$ 899) traz botões "touch panel" para acionar todas as funções - e até refrigeradores. O LR-27SPT1 Side by Side (R$ 11.999) traz como diferencial um painel digital externo.

E como não podia deixar de ser, a empresa também aposta no uso da tecnologia nos celulares. Tanto que lançou, em 2007, o LG Prada e, recentemente, o Viewty, o KF700, o KF600, o Genius e o Secret.

- Enxergamos o touch como uma evolução dos produtos. Um celular com teclado não permite ver bem fotos e vídeos porque acaba perdendo espaço na tela para usar recursos multimídia - diz Joe Tanaka, supervisor de marketing para celulares da LG.

Pensando na evolução das telas sensíveis, a LG adotou a tecnologia Resposta Tátil, na qual o usuário aperta a função e ela dá uma "vibrada", para que ele saiba que realmente pressionou o comando desejado, numa mistura da tecnologia por pressão e a por condutividade (do iPhone). Os celulares LG também aceitam o premir das teclas com as unhas e não só com a pele.

Apple tem produto mais popular, mas não é a pioneira

Apesar de não ter sido a primeira a lançar um celular touchscreen, não dá para tirar da Apple o crédito pela popularização da tecnologia. Mas, antes dela, marcas como HTC, LG e Nokia mantinham em seus portfólios produtos com a função. Da HTC veio o Touch, que vendeu mais de seis milhões de unidades. Segundo Cesar Keller, diretor-geral da HTC Brasil, as empresas atenderam à demanda que partiu do consumidor.

- A demanda pelo touch tem crescido mais rapidamente do que a dos produtos sem ele. À medida em que a tecnologia se desenvolveu, a interface ficou mais simples. Há, assim, caixas eletrônicos de bancos que a usam para facilitar a interação do cliente com os terminais - diz.

O sucesso do touchscreen foi tão retumbante que fez a HTC aumentar a oferta de modelos com a função. Foi nessa onda que surgiram produtos como o Touch Pro, o Touch HD e o Dual, que tem teclado virtual e também físico. E, agora, chegará ao mercado a "jóia da coroa", o Diamond.

Cesar lembra uma questão que faz toda a diferença na hora da compra de produtos touchscreen: neles, escrever emails, arquivos de texto e até mensagens curtas não é muito confortável. Por isso, algumas companhias têm optado por incluir, além do teclado virtual, um teclado físico para facilitar a entrada de dados.

Fato é que o mercado já percebeu que a preferência dos consumidores por produtos com tela sensível vai além do design. Para Gabriela Derenne, diretora regional da Claro para o Rio de Janeiro e Espírito Santo, de cara produtos como o iPhone trazem uma interface mais intuitiva, rápida e simples, além do aspecto da modernidade. Mas há outros quesitos a serem levados em consideração, como um melhor aproveitamento do espaço do aparelho. Celulares com a função ganham mais tela (haja vista que dispensam o teclado físico), proporcionando uma navegação mais confortável na internet.

Nos smartphones, a tela faz uma grande diferença. Mas e nos desktops e notebooks, por que o uso do touchscreen? A idéia a ser passada, aqui, é a da revolução da computação pessoal, na qual as empresas investem não só nas características técnicas (bom processador, HD grande, memória RAM, etc) mas também num novo estilo.

- Aparelhos como o Touch e o iPhone trouxeram uma luz. A indústria provocou e o consumidor respondeu. Assim, outros produtos com a tecnologia serão lançados. O touchscreen não é "marolinha", ele veio para ficar e, por isso, nosso portfólio é praticamente todo assim - diz Cesar.

E quanto à líder de mercado, a Nokia? A finlandesa trabalha com celulares com display sensível desde 2003, quando lançou o modelo 7700. Em 2004, chegava às prateleiras o 7710. Desde o lançamento do iPhone, no entanto, a Nokia vinha dando preferência a modelos sem a função. Pois há duas semanas anunciou o 5800 XPressMusic, totalmente touch e com barras virtuais dedicadas a funções como contatos e controle de mídia. Se a empresa decidiu aumentar o portfólio de produtos touch? Segundo Gustavo Jaramillo, diretor de negócios e mercado da Nokia, o touchscreen ainda é nicho.

- Existem objetivos de uso distintos. Na hora da compra há decisões racionais e emocionais. Podemos pensar em todos os perfis de usuário. A mensagem é que o usuário deve buscar descobrir o uso que vai fazer do equipamento. Para aqueles que usam muita mensagem de texto,a idéia do touchscreen pode não ser a melhor, e nem sempre a função é sinônimo de qualidade.

- O touchscreen ainda é exclusivo de modelos caros. Existe um segmento pequeno. São produtos que ainda estão numa faixa de preço muito alta - diz.

Para a Motorola, cujo foco está nos aparelhos mais baratos, é possível combinar a modernidade do touch com preços mais camaradas. De acordo com Henrique Freitas, gerente de marketing de produtos da Motorola, a empresa chegou a um grau de maturidade no uso do touchscreen, já que há um ano e meio colocou no mercado o modelo A1200.

- O iPhone tem a parte da interface atrativa, parece um PlayStation. Mas 90% dos celulares vendidos hoje custam até R$ 399; e 98% dos modelos custam até R$ 599. Teremos mais touchscreen? Sim. Apostamos nele? Sim. Mas para o uso de mensagens, não há nada melhor que um teclado QWERT. Temos de ser pragmáticos, e não nos vender para uma nuvem de fumaça.

Fonte: O Globo Online

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